O empate melancólico por 0 a 0 contra o Madureira, em São Januário, na última segunda-feira, deixou mais perguntas do que respostas. Dentro de campo, um Vasco apático, sem agressividade, sem urgência e, principalmente, sem alma. Fora dele, uma entrevista coletiva que soou quase como uma confissão.
Fernando Diniz, mais uma vez, deixou claro que o resultado não é prioridade no seu trabalho.
“As pessoas estão focadas no resultado do jogo. O meu foco não é no resultado do jogo, é fazer as coisas direito e procurar ajudar os jogadores.”
Foto: (André Durão)
A frase, dita após mais um tropeço, não caiu do céu. Ela é, na verdade, o reflexo fiel do que o Vasco apresenta desde que Diniz assumiu.
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O discurso no Vasco explica a campanha fraca
Quando um treinador afirma publicamente que não tem compromisso com o resultado, o campo costuma responder. E respondeu. Os números de Fernando Diniz à frente do Vasco são duros, frios e impossíveis de ignorar:
48 jogos
15 vitórias
13 empates
20 derrotas
Aproveitamento: 40,2%
É um desempenho muito abaixo do mínimo aceitável para um clube que luta, ano após ano, para se reencontrar no cenário nacional. Não é uma amostra pequena. Não é fase. É trabalho em andamento — e os números escancaram isso.
É óbvio que futebol não se resume apenas ao placar. Evolução de jogo, desempenho coletivo e desenvolvimento individual também contam. O problema é quando nenhuma dessas áreas entrega o suficiente.
O Vasco não vence, não encanta, não impõe respeito e raramente demonstra competitividade. A equipe empata jogos que precisava ganhar, perde confrontos diretos e parece confortável demais com desempenhos mornos. Isso não é acaso. É consequência de um discurso que relativiza a vitória.
Foto: (André Durão)
Quando o técnico não trata o resultado como prioridade, o time sente. O estádio sente. A torcida sente.
O mais alarmante de tudo é que Fernando Diniz não mentiu. Ele realmente não tem compromisso com o resultado. Os números provam isso. A campanha fraca, o aproveitamento baixo e a sequência de atuações sem impacto confirmam exatamente o que foi dito na coletiva.
O problema não é a sinceridade. O problema é que o Vasco precisa ganhar.
E enquanto o discurso não mudar, dificilmente o roteiro dentro de campo será diferente.