Por Marco Luiz
Se em 2025 Neymar assistiu ao baile aplicado pelo Vasco, em 2026 o roteiro foi completamente invertido. Desta vez, foi o Vasco quem dançou conforme a música do adversário. Analisar a derrota sem olhar para as próprias escolhas seria ignorar o ponto central da partida.
O Vasco até produziu mais que o Santos em volume de jogo, mas voltou a esbarrar em uma sina antiga: para marcar um gol, precisa chegar trinta vezes; para sofrer, basta o adversário aparecer uma única vez.
Falhas individuais e erros de planejamento se repetem
Mais uma vez, o gol sofrido nasceu de uma falha evitável. E, no campo do planejamento, a saída de Fernando Diniz parece ter acontecido apenas no papel. Seu espírito — de desorganização defensiva e risco excessivo — ainda parecia presente à beira do campo.
A equipe segue pagando caro por decisões que não dialogam com a realidade do elenco e do campeonato.
Erros táticos comprometem o desempenho
Do ponto de vista tático, o erro se repetiu: a insistência em Nuno atuando como ponta direita, função que não conversa com suas características, voltou a comprometer o rendimento coletivo. Pelo setor, o duelo entre Saldivia e PH virou quase uma disputa particular para ver quem errava mais — até o Santos aproveitar.
O Vasco se sabotou em um setor já fragilizado, expondo ainda mais uma defesa que claramente não inspira confiança.
Meio-campo funcionou, mas foi abandonado
O melhor momento do Vasco surgiu quando o meio-campo conseguiu respirar. Rojas, único jogador realmente lúcido na articulação, conectou defesa e ataque, organizou as ações e fez o time crescer até alcançar o empate.
Ali havia um caminho possível. Havia controle, havia ideia. Mas ele foi rapidamente abandonado.
Segundo tempo expõe fragilidade estrutural
Na etapa final, após novo erro individual que recolocou o Santos em vantagem, o Vasco voltou a se perder. A equipe abriu mão da organização e da qualidade para empilhar atacantes, transferindo a responsabilidade da posse para jogadores com pouca capacidade de construção.
No futebol moderno, essa escolha costuma cobrar seu preço. E cobrou — mais uma vez.
Bruno pouco pode ser responsabilizado. Ele é apenas mais um dentro de um clube que, ao que tudo indica, não se preparou adequadamente para disputar o Brasileirão em um novo formato competitivo.
Alerta ligado: o futuro preocupa
O cenário à frente acende um sinal de alerta. Há, sim, indícios de terra arrasada. O novo treinador terá um trabalho árduo para transformar o sistema defensivo do Vasco em algo minimamente funcional — ainda que seja uma “fortaleza de bambu”.
O restante passa por recondicionar o elenco e redefinir ideias. Porque, do jeito que está, o cheiro é de luta com a corda no pescoço.